quarta-feira, 13 de maio de 2015



  • Faça a analise sintática das orações destacadas. ( Atividade para entregar) 


Violência epidêmica

“A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros urbanos e se dissemina pelo interior. A incidência nem sempre é crescente, mudança de fatores ambientais e medidas mais eficazes de repressão, por exemplo, podem interferir em sua escalada.
As estratégias que as sociedades adotam para combater a violência flutuam ao sabor das emoções, raramente o conhecimento científico sobre o tema é levado em consideração. Como reflexo, a prevenção das causas e o tratamento das pessoas violentas evoluíram muito pouco no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades.
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de seus desejos.
A violência urbana é uma doença com múltiplos fatores de risco, dos quais os mais relevantes são a pobreza e a vulnerabilidade biológica.
Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psicológico pleno. A revisão dos estudos científicos já publicados permite identificar três fatores principais na formação das personalidades com maior inclinação ao comportamento violento:
1) Crianças que apanharam, foram abusadas sexualmente, humilhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
2) Adolescência vivida em famílias que não lhes transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram limites de disciplina.
3) Associação com grupos de jovens portadores de comportamento antissocial.
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças que se enquadram nessas três condições de risco. Associados à falta de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, à corrupção policial e ao péssimo exemplo de impunidade dado pelos chamados criminosos de colarinho-branco, esses fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente nas cidades.
Na falta de outra 

alternativa, damos à criminalidade a resposta do aprisionamento. Embora pareça haver consenso de que essa seja a medida ideal e de que lugar de bandido é na cadeia, não se pode esquecer que o custo social de tal solução está longe de ser desprezível. Além disso, seu efeito é passageiro: o criminoso fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e dificilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, na prisão, terá criado novas amizades e conexões mais sólidas com o mundo do crime.
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. Para agravar, obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos o número de prisioneiros a ponto de não conseguirmos edificar prisões na velocidade necessária para albergá-los. As cadeias continuarão superlotadas, e o poder dentro delas, nas mãos dos criminosos organizados.
Seria mais sensato investir o que gastamos com as cadeias em educação, para prevenir a criminalidade e tratar os que ingressaram nela. Mas, como reagir diante da ousadia sem limites dos que fizeram do crime sua profissão sem investir pesado no aparelho repressor e no aprisionamento, mesmo reconhecendo que essa é uma guerra perdida?
Estamos nesse impasse!
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Precisamos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais a executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias novas para substituir as velhas, mas isso não resolverá o problema enquanto a fábrica de ladrões colocar em circulação mais criminosos do que nossa capacidade de aprisioná-los.
Só teremos tranquilidade nas ruas quando entendermos que ela depende do envolvimento de cada um de nós na educação das crianças nascidas na periferia do tecido social. O desenvolvimento físico e psicológico das crianças acontece por imitação. Sem nunca ter visto um adulto, ela andará literalmente de quatro pelo resto da vida. Se não estivermos por perto para dar atenção e exemplo de condutas mais dignificantes para esse batalhão de meninos e meninas soltos nas ruas pobres das cidades brasileiras, vai faltar dinheiro para levantar prisões.
Enquanto não aprendemos a educar e oferecer medidas preventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-las na sociedade por meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas e da oportunidade de desenvolvimento artístico."
                                                                                       
VARELLA. Drauzio. In Folha de S.Paulo. 9 mar. 2002.

  • INTERPRETAÇÃO DE TEXTO


1- No texto "Violência epidêmica” afirma-se que nos bairros pobres a violência urbana "adquire características epidêmicas”. Considerando o conceito de epidemia (doença infecciosa que ataca simultaneamente grande número de indivíduos), explique como o autor justifica essa afirmação.

2- Esse texto apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão. Identifique tal divisão.

3- A organização de um texto pode ser observada ao se extrair de cada parágrafo a ideia desenvolvida em cada um. O texto "Violência epidêmica" tem 14 parágrafos. Qual é a ideia principal de cada um?

4- Na introdução, é apresentada a tese, para inteirar o leitor do que será desenvolvido em seguida. Identifique essa tese.

5- Segundo o texto, o conhecimento científico é pouco aplicado na prevenção das causas e no tratamento das pessoas violentas. Qual seria a utilidade desse conhecimento?

6- A enumeração é uma das características do texto dissertativo. Nesse texto de Varella, foi utilizada para apontar as causas pela formação de personalidades com maior inclinação ao comportamento violento. Escreva com suas próprias palavras quais são essas causas.

7- No desenvolvimento, o autor seleciona aspectos que desenvolvem a tese de forma ordenada, evitando detalhes desnecessários e incoerência em relação ao que é afirmado no início. Quais são esses aspectos?

8- Procurando instigar o leitor a refletir, o argumentador de "Violência epidêmica" também recorre ao questionamento do senso comum. Cite o trecho em que ele utiliza esse recurso.
9- O autor é a favor da construção de cadeias novas em substituição às velhas. A partir dessa posição, ele defende o argumento de que "lugar de bandido é na cadeia"? Justifique sua resposta.

10- Referindo-se à criança, Drauzio Varella afirma: "Sem nunca ter visto um adulto, ela andará literalmente de quatro pelo resto da vida". Que conclusão está implícita nessa afirmação?

11- Para defender sua tese de que a violência urbana é epidêmica, o autor recorre a vários argumentos, procurando convencer o leitor. Identifique um trecho em que a argumentação se baseie na relação de causa e consequência.

12- O texto dissertativo procura convidar o leitor a participar de uma discussão. Dê um exemplo, no texto de Drauzio Varella, em que isso pode ser percebido.



13- Na conclusão, o argumentador retoma o que foi dito no início: a violência é uma doença contagiosa. Ele afirma que não existe solução mágica para o problema da violência urbana, portanto é preciso adotar algumas medidas. Quais são elas?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

04/02/2015 14h39 - Atualizado em 04/02/2015 14h42
Minibibliotecas são instaladas em táxis para incentivar a leitura em MT
Cliente pode chamar o bibliotáxi por meio de aplicativo de celular.Se não terminar de ler, cliente pode levar o livro para casa e devolvê-lo depois.
 Minibibliotecas estão sendo instaladas nos veículos para que os clientes esqueçam do trânsito e coloquem a leitura em dia. Por meio de um aplicativo celular, a pessoa pode chamar o táxi que tem a minibiblioteca em seu veículo. A leitura é grátis e, se chegar no seu destino final sem terminar de ler, o cliente pode levar o livro para casa. A devolução pode ser feita em qualquer outro táxi do mundo cadastrado no aplicativo.
 O aplicativo foi criado por um brasileiro e hoje é usado em 180 cidades de 35 países. O gerente do aplicativo, André Dionísio, disse entender a necessidade de melhorar a leitura no país. "Nós colocamos os livros dentro do táxi e ajudamos as pessoas para que tenham acesso à leitura", disse o gerente.
Ele ainda relata que o Brasil tem um grande problema de congestionamento no trânsito e isso ajuda o cliente as se distrair. “Ao ler, o passageiro se distrai e nem percebe o trânsito lá fora”, afirmou André. Os táxis cadastrados no aplicativo são abastecidos por uma rede de livrarias, mas também são aceitas doações. São mais de 800 mil exemplares que circulam no táxis.

texto extraído do: g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/02/minibibliotecas-sao-instaladas-em-taxis-para-incentivar-leitura-em-mt.html

01/04/2014 16h22 - Atualizado em 02/04/2014 10h17

Biblioteca comunitária é instalada em ponto de ônibus em bairro de Cuiabá

Espaço disponibiliza 1.000 livros em ponto no bairro Morada do Ouro.Idealizadores dizem que a intenção é estimular a leitura na capital.




Usuários do transporte coletivo podem pegar livro em biblioteca de graça (Foto: Rayane Alves/ G1)
Uma biblioteca comunitária foi instalada em um ponto de ônibus no Bairro Morada do Ouro, em Cuiabá. A ideia faz parte de um projeto que tem como objetivo estimular a leitura. Uma das idealizadoras do projeto, Letícia Moraes, acredita que pequenos gestos como esse podem ajudar a melhorar a educação na capital. Ela e outras pessoas pesquisaram sobre diferentes ações sociais e resolveram colocar o projeto em prática.
Durante a pesquisa, foi encontrado um programa desenvolvido no Japão que incentiva a leitura a partir da doação de livros. Os exemplares são inseridos nos principais pontos de ônibus daquele país. “Depois que vimos no Japão, ficamos sabendo que Brasília também implantou bibliotecas em alguns pontos. Isso nos chamou a atenção porque em Cuiabá não existe nenhum projeto como esse”, disse Letícia ao G1.
Conforme Letícia, quando ela pensou em implantar o projeto na capital, várias pessoas começaram a rir e a fazer comentários negativos, dizendo que a ideia poderia não dar certo. "As pessoas não estão acostumadas com esse tipo de ação, e por isso, me falavam que depois de inaugurado o espaço, não iria ter nenhum livro porque seriam todos roubados", comentou. Mesmo com dúvida, ela decidiu seguir em frente.
A biblioteca funciona durante o dia todo. Ao todo, 1.000 exemplares já foram doados pela comunidade para compor o acervo. Os livros estão divididos nas categorias de enciclopédias, literatura, gibis, dicionário e marketing. Também livros construtivos que auxiliam na formação de um acadêmico de direito e administração.

Livros biblioteca em ponto de ônibus (Foto: Rayane Alves/ G1)

De acordo com Letícia, como a biblioteca foi inaugurada há apenas três dias, o pedido de doação de livros foi em diferentes categorias. Mas, com o passar do tempo, o projeto vai buscar personalizar o espaço para livros de literatura e história de Cuiabá. Por enquanto, os livros serão trocados semanalmente, mas depois eles deverão ser trocados a cada dois dias com outros temas e revistas atualizadas.
Para implantar a biblioteca no ponto, foi necessário fazer alguns reparos. Além de pintura, o ponto de ônibus recebeu uma manutenção completa em toda a estrutura. Depois de instalado, também foi realizado um teste para verificar se com a nova estrutura os livros não molhariam com a chuva.
Para o empréstimo dos livros não existe regra. Todos os moradores do bairro, ou até mesmo de outro podem pegar o livro para ler no local, ou levar para casa. Porém, a única determinação é que os livros que forem utilizados pelo leitor seja devolvido no mesmo local ou até mesmo trocado por outro que a pessoa desejar.

“Caso a pessoa goste do livro e não tiver tido tempo de terminar de ler, pode levar para casa", explicou. Ainda conforme Letícia, para fazer doação basta ir na biblioteca comunitária que fica localizada na Avenida Milton Figueiredo, no Bairro Morada do Ouro, na capital.

texto extraído do:g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/04/biblioteca-comunitaria-e-instalada-em-ponto-de-onibus-em-bairro-de-cuiaba.html

CRÔNICA - INTERPRETAÇÃO E REDAÇÃO

Ø  Leia o texto a seguir.
Os livros como paixão[1]
“Ladrão de livros de 85 anos é proibido de entrar em bibliotecas da Califórnia. Folha Online, 14 nov. 2002
Ninguém compreende minha paixão por livros, suspirava ele. E era uma grande paixão: o pequeno apartamento em que vivia estava literalmente atulhado de romances, livros de contos, obras de autoajuda, textos médicos, até. Não que ele os lesse. Ler era secundário. O importante era possuir os livros, saber que toda aquela riqueza cultural do passado estava ali, ao alcance de sua mão. A mão que acariciava as lombadas, que folheava amorosamente as páginas.
 O problema é que livros custam dinheiro. E dinheiro lhe faltava. Aos 85 anos, vivendo de uma modesta aposentadoria, o ancião não podia dispender muito em livrarias. Por isso roubava. “Roubo”, aliás, era uma expressão que lhe desagradava; preferia falar em algo como “redistribuição da riqueza intelectual”. Mas o eufemismo não o ajudava muito. Nem as mãos trêmulas, nem a lentidão.
 Cada vez que ia roubar um livro, deixava cair uma pilha inteira no chão. Mais do que isso, não sabia disfarçar: os bibliotecários sabiam quando ele estava roubando. Pediam-lhe as obras furtadas de volta e, justiça seja feita, ele nunca se negou a fazê-lo. Era parte de um jogo, um jogo que ele adorava, e cujas regras sempre respeitou.
 Infelizmente, porém, os bibliotecários cansaram deste jogo. E um acordo entre eles resultou em uma decisão: o homem agora está proibido de entrar nas bibliotecas. Não adianta ele dizer que quer apenas consultar jornais. Não adianta, também, dispor-se a ser revistado. A paciência dos responsáveis simplesmente terminou.
 Resta-lhe refugiar-se em seu sonho. E que sonho é este? Ele sonha que um dia vai ganhar muito dinheiro — num cassino, ou numa loteria. E aí comprará uma grande e antiga biblioteca — que será só dele. Ninguém mais poderá frequentá-la. Só ele. Ali irá todos os dias.
 Para roubar livros, claro. E os bibliotecários, seus empregados, não poderão dizer nada. Mais: terão de fingir que não percebem o furto. E ele roubará o que quiser.
Belo sonho, consolador sonho. O único inimigo deste sonho é o tempo. Com 85 anos, quanto mais ele poderá esperar pelo cassino ou pela loteria? O tempo é um grande e implacável ladrão. E não tem nenhuma paixão por livros.
O escritor Moacyr Scliar escrevia às segundas-feiras, nesta coluna, um texto de ficção baseado em reportagens publicadas no jornal.”
SCLIAR, Moacyr. In Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 nov. 2002.

1. Como você observou, o escritor Moacyr Scliar baseou-se em um fato cotidiano para escrever seu texto. O que há de inusitado na notícia em que ele se inspirou?
 a) Qual parte do texto é fictícia e qual é real?
2. A paixão que o velho senhor sentia pelos livros era incomum. Explique por quê.
3. Para esse senhor, “ler era secundário”, embora em geral o importante na aquisição de um livro seja o prazer da leitura. Como se pode compreender o apego dele aos livros?
4. O velho senhor não lia os livros, mas sabia que eles guardavam uma grande riqueza cultural. Que valor os livros têm em sua vida? De que modo você usufrui do convívio com eles?
 5. O protagonista ou personagem principal dessa narrativa era um senhor norte-americano, já de idade avançada, que estava “vivendo de uma modesta aposentadoria”.
 a) Como vivem os aposentados no Brasil? Exponha sua opinião.
6. Interprete este trecho: “...preferia falar em algo como ‘redistribuição da riqueza intelectual’”.
7. Além de ser considerado um “implacável ladrão”, o tempo é acusado de não ter “nenhuma paixão por livros”. Por quê?
8. No texto, o narrador é observador ou personagem? Justifique sua resposta.
9. Quanto à linguagem do texto, pode-se dizer que a narrativa é impessoal e objetiva ou pessoal e subjetiva? Por quê?
10. Essa narrativa apresenta características de um texto jornalístico ou literário?
11. Como ocorre nas crônicas em geral, nesse caso o narrador emprega verbos no presente e no pretérito e usa a variedade padrão da língua, num registro informal. Explique qual é o objetivo da crônica.

O texto lido é uma crônica, ou seja, uma narrativa condensada que focaliza um flagrante da vida, pitoresco e atual, real ou imaginário, com ampla variedade temática. Normalmente veiculada em jornais ou revistas, a crônica está na fronteira entre texto literário e não literário. Sua linguagem costuma ser subjetiva e coloquial, e sua ação, rápida e sintética. Seus personagens, se comparados com os do conto, têm menor densidade e características psicológicas mais superficiais. Embora predominem as sequências narrativas, a crônica também pode apresentar trechos dissertativos.
Inspirada em um fato real, a crônica de Moacyr Scliar apresenta as características típicas do gênero, além de misturar humor à crítica social. Vemos uma linguagem fluente, coloquial, e um enredo rápido e simples.
Esteja a crônica voltada para o âmbito jornalístico ou apresente caráter literário, ela costuma surpreender pelo desprendimento com que são tratados os fatos, em geral relacionados ao cotidiano, a temas atuais. Dentre nossos melhores cronistas, temos: Luis Fernando Veríssimo, Affonso Romano de Sant’Anna, Fernando Sabino, Lourenço Diaféria, Rubem Braga, Moacyr Scliar, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles e muitos outros.



Características da Crônica:
Ø  Geralmente é publicada em jornais e revistas;  
Ø  Relata de forma artística e pessoal fatos colhidos no noticiário jornalístico e no cotidiano;  Texto curto e breve;  
Ø  Tem por objetivos: divertir ou fazer refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos;
Ø   Pode apresentar elementos básicos da narrativa: fatos, personagens, tempo e lugar;  O tempo e o espaço são limitados;  
Ø  Pode apresentar narrador-observador ou narrador-personagem;  
Ø  Linguagem geralmente de acordo com o padrão culto formal ou culto informal da língua.

http://www.youtube.com/watch?v=jQVvKZQ9jOo&feature=related
 (nesse vídeo estão sendo entrevistados dois importantes cronistas brasileiros: Luiz Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar. ) 


[1] Texto retirado do livro: Oficina de redação de Leila Lauar Sarmento.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O que é preconceito?


Música


Por que você me olha
Com esses olhos de loucura?
Por que você diz meu nome?
Por que você me procura?
Se as nossas vidas juntas
Vão ter sempre um triste fim
Se existe um preconceito muito forte
Separando você de mim
por que esse beijo agora?
Por que meu amor este abraço?
Um dia você vai embora
Sem sofrer os tormentos que eu passo?
De que vale sonhar um minuto
Se a verdade da vida é muito ruim
Se existe um preconceito muito forte
Separando você de mim





O que é belo perante a sociedade? Será que existe um padrão de beleza?

























Será que existe um tipo de atividade certa para homens e mulheres ou para determinada idade?






































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sexta-feira, 6 de março de 2015

· Comente o texto abaixo.


Eutanásia: quem decide a hora certa de morrer?

As denúncias envolvendo a médica Virgínia Helena de Souza, acusada de antecipar a morte de pacientes na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, Paraná, reacenderam, neste ano, a polêmica sobre um assunto antigo: a eutanásia. A palavra de origem grega significa boa morte e refere-se ao direito que os indivíduos teriam de optar por encerrar a vida de modo antecipado e sem dor. Isso é visto por  muitos como um alívio aos doentes incuráveis que sofrem exageradamente, por longos tempos, no aguardo da morte. Há países, como Holanda e Bélgica, nos quais a eutanásia é legalizada, mas, no Brasil, é crime. O tema desperta muitas discussões: se estiver consciente, o doente tem o direito de decidir quando parar de viver? E se estiver inconsciente, a família poderia ter esse direito? Caso fosse legalizado, quem teria a tarefa de ajudar o doente a provocar a própria morte? E os médicos, como deveriam agir, já que juraram defender a vida?

quinta-feira, 5 de março de 2015

terça-feira, 2 de setembro de 2014



ATIVIDADE- INTERPRETAÇÃO DE TEXTO


Texto para as questões de 1 a 7.


          Há em cada empresa, afeição ou idade um ciclo inteiro da vida humana. O primeiro número do meu jornal encheu-me a alma de uma vasta aurora, coroou-me de verduras, restituiu-me a lepidez da mocidade. Seis meses depois batia a hora da velhice, e daí a duas semanas a da morte, que foi clandestina, como a de D.  Plácida. No dia em que o jornal amanheceu morto, respirei como um homem que vem de longo caminho. De modo que, se eu disser que a vida humana nutre de si mesma outras vidas, mais ou menos efêmeras, como o corpo alimenta os seus parasitas, creio não dizer uma coisa inteiramente absurda. Mas, para não arriscar essa figura menos nítida e adequada, prefiro uma imagem astronômica: o homem executa à roda do grande mistério um movimento duplo de rotação e translação; tem os seus dias, desiguais como os de Júpiter, e deles  compõe o seu ano mais ou menos longo.

       No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo  Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada ministerial. Cor -reu, ao menos durante algumas semanas, que ele ia ser ministro; e pois que o boato me encheu de muita irritação e inveja, não é impossível que a notícia da morte me deixasse alguma tranquilidade, alívio, e um ou dois minutos de prazer. Prazer é muito, mas é verdade; juro aos séculos que é a pura verdade. Fui ao enterro. Na sala mortuária achei Virgília, ao pé do féretro, a soluçar. Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. Ao sair o enterro, abraçou-se ao caixão,aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. [...]
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. CL.)

1.       Sobre o primeiro parágrafo do texto, leia as afirmações seguintes:
I. Tudo na vida do homem está marcado por um ciclo: nascimento, envelhecimento e morte.
II. Segundo os astrônomos, a vida do ser humano na Terra é comparável à vida em outros planetas, como Júpiter.
III. O homem, independentemente de seu desejo e escolha, é responsável pela preservação de vidas alheias, até mesmo de certos parasitas.
Está correto o que se afirma em
a) I e II, apenas. b) I, II e III.
c) II e III, apenas. d) I, apenas.
e) I e III, apenas.

2.       “De modo que, se eu disser que a vida humana nutre de si mesma outras vidas, mais ou menos efêmeras, como o corpo alimenta os seus parasitas, creio não dizer uma coisa inteiramente absurda. Mas, para não arriscar essa figura...” – A figura a que se refere o autor é
a) uma metáfora em que “corpo” substitui “vida humana”.
b) uma comparação entre a existência humana e o corpo humano.
c) uma antítese entre “vida” e “parasitas”.
d) uma prosopopeia (personificação) de corpo (“...o corpo alimenta...”).
e) uma metonímia em que “corpo” (parte) significa “pessoa” (todo).

3.       A expressão “o grande mistério” refere-se
a) a Deus.
 b) à vida
. c) à morte.
d) à imortalidade.
 e) à reencarnação.


4.       “No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo Neves o seu movimento de translação.” – Esse trecho significa que
a) o narrador não saiu do lugar e Lobo Neves partiu para grandes empreendimentos.
b) se encerrou um episódio da vida do narrador e também a vida de Lobo Neves.
c) o narrador se manteve solitário durante a vida e Lobo Neves viveu acompanhado por Virgília (a sua “lua”) e outros familiares e amigos.
d) o narrador era voltado para si e Lobo Neves se movia pelo “grande mundo” da vida social e política.
e) o narrador não obteve o que queria e Lobo Neves teve uma vida bem-sucedida, quase chegando a ministro.

5.       A expressão “ao pé do féretro” significa:
a) aos pés do defunto.
b) aos pés do ataúde.
c) no final da procissão do enterro.
d) no exterior da tumba.
e) perto do caixão.

6.       Em “Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras”,a palavra deveras indica que Virgília chorava
a) de modo dissimulado.
 b) verdadeiramente.
c) por obrigação.
 d) um pouco.
e) desesperadamente.

7.       Assinale a alternativa cuja locução destacada não possa ser substituída pela palavra entre parênteses.
a) “...movimento duplo de rotação...” (rotatório)
b) “...os seus dias, desiguais como os de Júpiter,...” (jupiterianos)
c) “...lepidez da mocidade.” (juvenil)
d) ”...notícia da morte...” (mortal)
e) “...um ou dois minutos de prazer.” (prazerosos)

Texto para as questões de 8 a 10.

E o Vento Gerou
Além de praias paradisíacas, o litoral do Nordeste brasileiro foi agraciado com um outro dom: muito vento em condições propícias para a geração de energia elétrica. O potencial eólico do Brasil é de cerca de 140 gigawatts, 11 vezes maior que a potência instalada da usina de Itaipu (12 GW). No entanto, esse potencial está mais do que subutilizado: a potência de todo o parque de turbinas eólicas no país não chega a 25 MW. Para se ter uma ideia, a Alemanha, líder mundial na produção de energia eólica, tem atualmente um parque com mais de 13 GW instalados – 500 vezes maior que o brasileiro. Essa situação está começando a mudar: foram inauguradas em janeiro três turbinas eólicas na praia de Soledade, no município de Macau, Rio Grande do Norte. Juntas, elas vão gerar 1,8 MW – eletricidade suficiente para abastecer uma cidade de 10 mil habitantes. Essa produção atenderá o consumo dos poços de petróleo de
quatro campos explorados pela Petrobras na região. A entrada em operação desse parque eólico representa a economia anual de 33 milhões de metros cúbicos de água dos reservatórios da região Nordeste. Esse volume deixará de ser usado em usinas hidrelétricas, o que torna o uso da energia eólica especialmente proveitoso no Nordeste: os períodos em que o vento é mais frequente são aqueles em que não chove, ou seja, o nível dos reservatórios de água está baixo. Mas trata-se sobretudo de uma forma limpa de energia, renovável e com baixíssimo impacto ambiental. Por isso ela tem sido estudada pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), que investiga a melhor maneira de adequar a tecnologia de produção de energia eólica às condições brasileiras. O primeiro passo foi identificar regiões com bom potencial eólico próximas a áreas de atuação  da Petrobras. Em seguida, os técnicos instalaram torres de Resolução medição e coleta de dados ambientais equipadas com sensores que medem, a cada segundo, a velocidade e a direção dos ventos, bem como a temperatura, a umidade e a pressão atmosférica do local. Ao fim de um ano de medições, esses dados permitiram prever a quantidade de energia elétrica que seria gerada por um parque eólico na região, bem como sua viabilidade econômica. O trabalho dos pesquisadores da Petrobras não para aí. Eles precisaram ainda estudar a melhor maneira de injetar a energia gerada na rede elétrica à qual as turbinas eólicas serão ligadas, o que é um desafio: como o vento sopra de forma inconstante, a potência elétrica gerada pelas turbinas também é variável, o que poderia causar flutuações na tensão da rede elétrica do local de instalação, o que exige que o projeto do parque eólico seja feito de forma criteriosa de modo a evitar essas flutuações.
A instalação das turbinas eólicas em Macau representa só o passo inaugural da Petrobras na exploração dessa fonte renovável de energia. A instalação de mais dois parques eólicos, com 3 MW cada, já está prevista, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, e só aguarda a conclusão dos licenciamentos ambientais.
(Revista Superinteressante)

8.       Considere o texto e assinale a alternativa correta.
a) A Alemanha possui o maior potencial eólico do mundo, sendo líder mundial na produção desse tipo de energia.
b) A fim de atender ao consumo de uma cidade com 10 mil habitantes, três turbinas eólicas foram instaladas na praia de Soledade, no município de Macau, Rio Grande do Norte.
c) O Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) investiga um modo de utilizar a energia eólica sem causar grande impacto ambiental.
d) A energia eólica é invariável, por isso são necessárias pesquisas que permitam descobrir a melhor maneira de injetá-la em uma rede elétrica local que apresente tensão flutuante.
e) No Brasil, a utilização dos ventos na produção de energia elétrica apresenta um potencial gerador 11 vezes maior que o da usina de Itaipu.

9.       Analise as seguintes afirmativas sobre a exploração da energia eólica no Nordeste brasileiro.
I. É uma região em que há considerável quantidade de vento em boas condições de gerar energia elétrica.
II. A utilização de parques eólicos representa uma economia de água em seus reservatórios hidrelétricos.
III. Os períodos de maior frequência de vento são aqueles em que lá não chove e os reservatórios de água das usinas hidrelétricas estão com baixos níveis.
IV. Há subutilização do seu potencial eólico em relação a outras regiões do País.
Está correto o que se afirma apenas em
a) I, II e III. b) II, III e IV. c) I, III e IV.
d) I, II e IV. e) II e III.

10.   Qual o desafio enfrentado pelos pesquisadores ao injetarem a energia eólica em uma rede elétrica local?
a) Para analisar a viabilidade da instalação de turbinas, leva-se um ano na medição e coleta de dados sobre os ventos da região.
b) O projeto do parque deve ser criterioso, a fim de evitar as flutuações produzidas pela rede elétrica local, prejudiciais à geração de energia nas turbinas eólicas.
c) É indispensável encontrar uma localidade próxima das áreas de atuação da Petrobras que apresente condições propícias à produção de energia por meio do vento.
d) A potência gerada pelas turbinas eólicas é inconstante; consequentemente, pode haver oscilações na tensão da rede elétrica próxima.
e) Ainda são necessários estudos sobre a obtenção de energia elétrica empregando o vento como recurso.

Texto para as questões de 11 a 14.

E anunciaram que numa manhã apareceria o primeiro bonde elétrico. Indicaram-me a atual Avenida São João como o local por onde transitaria o veículo espantoso. [...] Naquele dia de estreia ninguém pagava passagem, era de graça. A afluência tornou-se, portanto, enorme. No centro agitado, eu desci a Ladeira de São João, que não era ainda a Avenida de hoje. Fiquei na esquina da Rua Líbero Badaró, olhando para o largo de São Bento, de onde devia sair a maravilha mecânica. [...]
(Oswald de Andrade)

11.   Nesse contexto, a palavra afluência significa
a) afluxo, concorrência.
b) atrapalhação, confusão.
c) aflição, tribulação.
d) abundância, quantidade.
e) afobação, correria.

12.   Em qual alternativa a forma verbal destacada designa um fato passado indicado como concluído?
a) “Indicaram-me a atual Avenida São João...”
b) “Naquele dia de estreia ninguém pagava passagem,...”
c) “... era de graça.”
d) “...a Ladeira de São João, que não era ainda a Avenida de hoje.”
e) “...de onde devia sair a maravilha mecânica.”

13.   As formas verbais anunciaram e transitaria foram empregadas no texto, respectivamente, para
a) designar um fato concluído no passado e indicar um fato que, no passado, era dado como futuro.
b) referir-se a um fato momentâneo, não totalmente concluído no passado, e exprimir a dúvida sobre sua realidade no presente.
c) indicar ação durativa no momento presente e designar algo que se pretende ver realizado no presente.
d) exprimir um fato repetido no passado e indicar, no presente, a consequência do ato praticado.
e) enunciar uma incerteza sobre um fato passado e referir-se a projeções hipotéticas de ações futuras.

14.   Assinale a única alternativa em que o adjetivo destacado
tem função sintática diferente da dos demais.
a) “E anunciaram que numa manhã apareceria o primeiro
bonde elétrico.”
b) “...por onde transitaria o veículo espantoso.”
c) “No centro agitado, eu desci a Ladeira de São
João,...”
d) “...de onde devia sair a maravilha mecânica.”
e) “A afluência tornou-se, portanto, enorme.”

Texto para a questão 15.

A praça de armas e o principal hospital de Pisco se transformaram em necrotérios abertos, já que o prédio do necrotério da cidade desabou após o tremor.
(Correio Popular, 20/8/2007)

15.   Só não se mantém o sentido acima em:
a) A praça de armas e o principal hospital de Pisco foram transformados em necrotérios abertos, uma vez que o prédio do necrotério da cidade desabou após o tremor.
b) A praça de armas e o principal hospital de Pisco se transformaram em necrotérios abertos, assim que o prédio do necrotério da cidade desabou após o tremor.
c) A praça de armas e o principal hospital de Pisco tornaram-se necrotérios abertos, porque o prédio do necrotério da cidade desabou após o tremor.
d) Como o prédio do necrotério desabou após o tremor, a praça de armas e o principal hospital de Pisco converteram-se em necrotérios abertos.
e) A praça de armas e o principal hospital de Pisco foram convertidos em necrotérios abertos, visto que o prédio do necrotério da cidade desabou após o tremor.

Texto para as questões 16 e 17.

A laranjeira não existe para dar laranja, existe para produzir e espalhar sua própria semente. A fruta não é o objetivo da planta frutífera, é o que ela usa para carregar suas sementes, é o seu estratagema. Agradecer à laranjeira pela laranja é não entendê-la. Ela não sabe do que nós estamos falando. Suco? Doçura? Vitamina C? Eu?! Você e eu ficamos aí especulando sobre o que a vida quer de nós, e só o que a vida quer é continuar. Seja em nós e na nossa prole, seja na minhoca e na sua. Nossa missão, nossa explicação, é a mesma do rinoceronte e da anêmona. Estamos aqui para fazer outros iguais a nós. Isto que chamamos, carinhosamente, de “eu”, com suas peculiaridades e sua biografia única, não é mais do que uma laranja personalizada. Um estratagema da Natureza, a polpa com que a Natureza protege a nossa semente e assim assegura a continuação da vida. Enfim, um grande mal-entendido. E os que passam pelo mundo sem se reproduzir? São caronas. Ganham o brinde mesmo sem merecer o pacote. A Natureza não discrimina.
(Luís Fernando Verissimo, trecho de “Nossa Missão”, crônica publicada em O Estado de S. Paulo)

16.   Há, no texto, analogia entre uma laranja e
a) os genes responsáveis pela transmissão das características hereditárias.
b) a individualidade humana, conjunto das particularidades de um elemento em relação à sua espécie.
c) a evolução da transmissão de características genéticas.
d) a vida, cujo objetivo é assegurar sua própria continuidade.
e) o estratagema da Natureza para eliminar frutos improdutivos e resguardar a vida.

17.   Considere as seguintes afirmações sobre o texto:
I. Acreditar que a vida tem um propósito especial para cada indivíduo é o “grande mal-entendido” a que se refere o autor no final do texto.
II. Perante a Natureza, o que torna o ser humano superior às demais espécies é a consciência de si mesmo, a busca de um objetivo para sua existência e a capacidade de questionamento diante da vida.
III. A palavra brinde, no texto, significa “dádiva” e refere-se à vida de que usufruímos mesmo sem cumprir mos nosso papel reprodutivo.
Está correto apenas o que se afirma em
a)     I.      b) II.     c) I e II.      d) I e III.      e) II e III.

Texto para as questões de 18 a 20.

CONSOADA
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria ou diga:
— Alô, Iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer
(A noite com seus sortilégios).
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta
Com cada coisa em seu lugar.
(Manuel Bandeira)
Vocabulário
Consoada: refeição noturna leve e pequena, sem carne, que se faz em
dia de jejum. Como particípio do verbo consoar, pode significar também música harmoniosa ou adequação, conformidade.
Caroável: amável, afável, gentil, carinhoso, afetuoso, meigo.
Iniludível: que não deixa ou admite dúvida, que não se pode iludir, que não se pode induzir em erro ou engano, que não se pode burlar ou lograr; evidente.

18.   O eu lírico manifesta
a) medo de morrer.
b) desejo de viver até que seu trabalho esteja concluído.
c) crença numa outra vida após a morte.
d) desconformidade com a morte, cuja chegada deseja adiar.
e) desejo de uma morte harmoniosa.

19.   No poema “Consoada”, o eu lírico
I. usa os termos indesejada e iniludível para se referir à morte.
II. aceita a morte como inevitável e a compara com a noite.
III. acha a vida perigosa como a noite, cheia de sortilégios.
Está correto o que se afirma em
a) I apenas. b) I, II e III.
c) I e II apenas. d) I e III apenas.
e) II e III apenas.

20.   O trecho que não apresenta linguagem figurada é:
a) “Talvez eu tenha medo.”
b) “A mesa posta...”
c) “Com cada coisa em seu lugar.”
d) “...pode a noite descer...”
e) “O meu dia foi bom,...”

Texto para as questões 21 e 22.

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

21.   O texto apresentado é parte do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, no qual se narra quão desumano era o transporte de escravos negros em navios. A quem o poeta se dirige por meio do pronome tu?
a) Aos escravos.
b) À bandeira do Brasil.
c) À luz do sol.
d) À brisa do Brasil.
e) À esperança de liberdade.

22.   Os poetas costumam selecionar as palavras levando em conta significado, sonoridade, forma, capacidade de suscitar imagens etc. Substitua a palavra balança (no segundo verso do texto) por movimenta. De que maneira essa alteração pode interferir no poema? Observe as seguintes alternativas e assinale a incorreta.
a) Altera-se a estrutura formal do texto.
b) Conserva-se a intensidade sonora.
c) Interrompe-se o esquema de rimas.
d) Perde-se a regularidade métrica.
e) Mantém-se o conteúdo, mas compromete-se o resultado artístico.

Texto para as questões 23 e 24.

A imagem da sinapse, palavra que na origem grega indica a ideia de unir – apresentada em bioquímica como o canal de transmissão de impulsos entre as células nervosas –, lembra a própria condição atual da educação. Num mercado de trabalho que exige uma atitude cada vez mais criativa dos profissionais, aprender é muito mais do que memorizar dados ou usar novas tecnologias. É saber unir as informações relevantes, produzindo conhecimento por meio dessa associação de impulsos. As tecnologias que aumentam cada vez mais a velocidade da transmissão de dados sugerem também uma realidade social e cultural próxima do ritmo dos impulsos cerebrais. Nesse contexto, são necessários não apenas novos modelos de atuação profissional, mas também novas empresas e novas escolas. Já não se trata apenas de administrar conteúdos testados em provas ou atestados por diplomas. É crucial a busca permanente de novas competências e o exercício de inteligências múltiplas. Ganhou evidência nos últimos anos o capital humano, como diferencial de competitividade de empresas e países. A gestão do conhecimento tornou-se imperativa num mundo que muda o tempo todo. Enfrentar a necessidade do aprendizado permanente é reconhecer que se está, na escola ou no trabalho, sempre no limiar da desinformação e da desrazão. Esse é o paradoxo maior da sociedade da informação, que, ao colocar em circulação tantos dados e opiniões, muitas vezes acaba por produzir maior confusão.
(Folha de S.Paulo, 22/7/2002, editorial)

Vocabulário
relevante: importante          
crucial: fundamental, decisivo, essencial
limiar: entrada, início

23.   Aponte a alternativa que formule uma conclusão a que se pode chegar com base no texto acima.
a) Como demonstra o exemplo da sinapse, a bioquímica deve ser tomada como modelo para a educação.
b) A função básica da escola é criar competitividade e exercitar inteligências múltiplas, para atender ao mercado de trabalho.
c) A educação, atualmente, exige o uso da mais avançada tecnologia, pois é necessário atingir a velocidade dos impulsos cerebrais.
d) Ensinar a aprender deve ser função essencial da educação, num mundo que exige atualização permanente e capacidades múltiplas.
e) Na escola ou no trabalho, deve-se evitar a confusão da informação excessiva e da circulação descontrolada de dados e opiniões.

24.   “...palavra... apresentada em bioquímica como o canal de transmissão de impulsos entre as células nervosas —,...” — Qual das alternativas seguintes apresenta uma redação mais precisa para essa frase?
a) Palavra criada em bioquímica para o canal de transmissão de impulsos entre as células nervosas.
b) Palavra considerada em bioquímica como o canal de transmissão de impulsos entre as células nervosas.
c) Palavra empregada em bioquímica para designar o canal de transmissão de impulsos entre as células nervosas.
d) Palavra introduzida em bioquímica para a transmissão de impulsos entre as células nervosas.
e) Palavra que foi apresentada em bioquímica para canalizar a transmissão de impulsos entre as células nervosas.

Texto para as questões de 25 a 31.

Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta?
Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.
Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre a velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.
Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma – “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. Ótima, a Dona Inácia. Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne, e por isso não suportava o choro da carne alheia. Assim, mal vagia [chorava], longe, na cozinha, a triste criança, gritava logo nervosa:
— Quem é a peste que está chorando aí?
Quem havia de ser? A pia de lavar pratos? O pilão? O forno? A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela para os fundos do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões de desespero.
— Cale a boca, diabo!
No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase sempre, ou frio, desses que entanguem [tornam duros de frio] pés e mãos e fazem-nos doer... Assim cresceu Negrinha – magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, por
ali ficou feito gato sem dono, levada a pontapés.
(...)
A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos – e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se fizera ao regime novo – essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: a polícia! “Qualquer coisinha”: uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho [chicote] porque disse: “Como é ruim, a sinhá...” O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague [chicote], mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis. Inocente derivativo.
— Ai! Como alivia a gente uma boa roda de croques [cascudos] bem fincados!...
(Monteiro Lobato, Negrinha)
25.   Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a
a) intertextualidade, que consiste na retomada e reelabora ção de outros textos.
b) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.
c) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.

26.   No trecho “uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor”, a palavra porque estabelece uma relação de causalidade, introduzindo uma oração que indica a causa da anterior. Dos seguintes trechos, extraídos do texto de Monteiro Lobato, identifique o que apresenta esse mesmo tipo de relação:
a) “Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha (...)”
b) “Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.”
c) “(...) recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo.”
d) “Vinha da escravidão, fora senhora de escravos (...)”
e) “O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana.”

27.   Considerando-se o texto, é incorreto afirmar que a personagem Dona Inácia
a) aliviava seus frenesis batendo em Negrinha; por isso mantinha a menina em casa.
b) se identificava com o regime escravista, não considerando certo os negros terem os mesmos direitos dos brancos.
c) castigava cruelmente seus escravos durante a escravidão e, mesmo com a abolição, não perdeu a agressividade.
d) era irônica, pois considerava como “qualquer coisinha” assar uma mucama ao forno, mas no íntimo condenava essa atitude.
e) era uma mulher rica e poderosa, gozava de prestígio social e era bem considerada pelos padres.

28.   Em “Assim, mal vagia, longe, na cozinha, a triste criança, gritava logo nervosa”, a palavra logo tem o mesmo sentido da empregada em:
a) Na classe, sentava-se logo após o amigo.
b) Penso, logo existo.
c) Disse logo o que veio fazer.
d) Não tenho dinheiro, logo não posso viajar.
e) Logo em quem ele foi confiar!

29.   O texto é narrativo-descritivo, porque, além de contar uma história, contém trechos que caracterizam as personagens. Assinale a alternativa que apresenta trecho narrativo:
a) “Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.”
b) “Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja...”
c) “Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne,...”
d) “A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela...”
e) “Assim cresceu Negrinha — magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados.”

30.   Em “mal vagia”, o advérbio de tempo mal pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por:
a) assim que. b) antes que. c) desde que.
d) provavelmente. e) certamente.

31.   “A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela para os fundos do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões de desespero.”
Com base no texto e no trecho dado, o comportamento da mãe se justifica porque
a) ela era tão má quanto Dona Inácia.
b) temia as represálias de Dona Inácia.
c) não gostava da menina, que só lhe trazia problemas.
d) precisava repreender a filha, que era mal-educada.
e) era castigada por ser escrava e, por isso, descontava na filha.